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GORDOFOBIA: AQUI NÃO !

 A agência da empresa Miss Brasil Plus Size Oficial (MBPS) fica localizada há duas quadras da mais importante avenida de São José do Rio Preto e da Prefeitura Municipal, assim como, ao lado do SENAC e próximo do coração da cidade.
Em razão da expansão da área azul de estacionamento, parar próximo está cada vez mais difícil e a disputa pelo espaço acirradíssima, pois é uma região mista (residencial/comercial).
Há dias atrás, em uma tarde como qualquer outra, o veículo do nosso escritório foi “fechado” (com dois carros estacionados atrás e à frente) de tal forma que não havia espaço para manobra. Busquei me informar em estabelecimentos vizinhos para saber de quem seriam tais veículos, porém sem êxito. Não tive outra alternativa (para não perder compromisso com hora marcada) a não ser me valer de outro carro nosso.
Ao retornar, fui alertada por um proprietário vizinho que sabia a quem pertencia o veículo da frente. Diante da informação (e como eu já havia estado lá para indagar e disseram que desconheciam) retornei ao mesmo local e já fui recebida por uma moça que gesticulava muito e gritava que não iria tirar o carro dela, pois a rua não era minha. Interpelei dizendo que ela estava cerceando meu direito de ir e vir – iniciando-se uma discussão acerca, apenas, do fato.
Eis que, para minha indignação, passou a proferir impropérios, em alto tom e na presença de demais pessoas, dizendo: ‘SAI DAÍ SUA GORDA FEIA, GORDA BURRA – SERÁ QUE VOCÊ NÃO SE ENXERGA ¿”.
No momento, mesmo indignada com as ofensas, não percebi a real intenção, pois talvez fosse conseqüência de uma discussão do cotidiano estressante.

Entretanto, alguns instantes depois fiquei completamente abalada, pois a intenção fora realmente de me chamar de gorda, no sentido pejorativo – praticando um ato preconceituoso, desnecessário e gordofóbico. E mais: bem defronte a sede do MBPS.
Ressalto que jamais me sentiria ofendida por me chamarem de “gorda” e “burra”, pois tenho orgulho de quem sou e como sou, além de plena consciência da minha capacidade.
Portanto, qual a motivação de me chamar de gorda naquele momento, pois a discussão era a respeito dos carros estacionados ¿
Naturalmente que a intenção dela foi ofender e não solucionar a questão em si, pois embora sejamos vizinhos de escritórios, jamais a vi e não a conhecia. Claro que – ao me atingir – atingiu a todas nós, nosso movimento e nossa luta plus size. E, na minha condição de defensora não poderia me silenciar, porque é meu papel combater este discurso estigmatizado e discriminatório mantido pelo patrulhamento alheio.
As medidas cabíveis estão sendo analisadas. E providenciadas o mais breve possível.

Contudo, necessária uma reflexão: Por que tantas pessoas alimentam ódio e o disseminam com comentários e ofensas gratuitas, com visível má-fé e desprezo ¿
Como não bastassem as barreiras e dificuldades cotidianas, ainda temos que tolerar insultos que representam negativamente nossas imagens.

Todas as pessoas devem ter o direito de viver plenamente.
Gordofobia é assunto sério! DIGA NÃO À INTOLERÂNCIA!

RENATA ISSAS.

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